Perdido num turbilhão de pensamentos desconexos,
pensamentos dos quais não há como fazer ideia acerca de seu sentido,
pensamentos que podem dar razão a alguma coisa além do come e dorme de cada
dia, que talvez possam, se não explicar, jogar uma luz na direção certa do
porquê de tudo isso. Será mesmo que é algo mais do que uma máquina muito grande
feita para construir e destruir sem parar e sem motivos? O verdadeiro “moto-dínamo” carece de alguma força que
se mostre sobrenatural à intuição mundana?
Tal como o ouroboros
respeita a dimensão do seu corpo e só retorna a si próprio no final para se
devorar, as ideias não muito claras percorrem mentes envenenando as certezas
muito mal fundamentadas e só retornar no final para devorar a própria cauda, e
então, pro abismo da miasma e da penumbra se vão até mesmo as teorias
estabelecidas empiricamente em devaneios propiciados por sonhos intranquilos.
Aos exemplos, abaixo de uma placa de “procura-se”, encontram-se a honra e a
nobreza de assassinos ao lado da integridade e fragilidade moral de hipócritas.
Gargalhadas no ponto mais claro ecoam por onde plástico, madeira, papel e metal
são separados, mas não incomodam, pois já foi dito uma vez que trata-se de um
fundo musical feito para alegrar. A gravidade de uma troca de tapas onde todos
cobrem seus rostos bem cuidados com máscaras que não são capazes de esconder
suas identidades, comparada a uma verdadeira guerra, onde cada soldado usa seu
rosto e seu nome preso à farda, mas ninguém sabe quem são eles.
Alguém, algum dia, será capaz de fazer alguma coisa além
de perceber os absurdos e fingir que nada veem, ou tentar mostrar a uma plateia
conformada, formada de escravos das próprias ambições, cegos pelo próprio
orgulho, surdos, mudos e há muito sem tato devido à própria gula e preguiça?
O mundo tem menos cores a cada dia, e eu não gosto do
vermelho...
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