Quem dera, se o poder de ver o futuro nas chamas também
confiasse a incrível habilidade de mudar o destino, se o poder de um estalar de
dedos fizesse sumir tudo aquilo de que fugimos, se um copo d’água ou um “contar
até dez” tivesse o poder de resolver tantos problemas quanto promete, quanto os
outros prometem por eles.
Um dia, quem sabe, pode trazer alguma vantagem este
conhecimento sobre natureza humana, pode acabar perdendo a graça nunca se
surpreender com nada, e perceber de longe como tudo vai se desenrolar pelas
próximas jogadas de uma partida de xadrez. Quem dera ter a paciência e o
talento para ser enxadrista, aqueles a quem o futuro ou o destino se revelam.
Dias nublados de clima morno, por exemplo, nunca trazem
novidades, e normalmente o ápice de dias assim é um cumprimento sincero de
algum desconhecido há muitos metros, como se tivesse uma vontade real de trocar
algumas palavras além do costumeiro “olá”, mas que nunca ocorre.
Como pode alguém afirmar qualquer coisa com tamanha
certeza sem se dar conta do tamanho do “talvez” no qual estamos inseridos? Será
este o motivo de tantos estandartes com aura de hipocrisia ganhando força? Será
este o motivo da força de um discurso vazio de conteúdo proferido a plenos
pulmões? Será?
Nenhum comentário:
Postar um comentário