Uma postagem programada é aquela que se escreve hoje, pra
daqui um tempo ela ser upada no blog. Eu acho. Esta, que está lendo agora, foi
escrita no futuro, e upada hoje, por isso programada às avessas. Ou “adamargorp”.
Como queira.
Estava eu, ao longo de meus setenta e tantos, junto de
todos os meus sobrinhos fazendo o que eu mais gosto de fazer (e eles devem
odiar, mas me dão atenção mesmo assim porque eu sou carente), contando
histórias. Já misturei tantas mentiras no meio das coisas que eu conto que eles
distinguem elas melhor do que eu. Eu já não sei o que é mentira. Minha cabeça
não anda muito boa.
Falavam eles de futebol. Ô assunto sem graça. Legal mesmo
era jogar. Eu era o melhor. No gol, na linha, atacante ou zagueiro. Não tinha
pra ninguém. Mas o tempo foi passando e eu comecei a ver mais do que jogar. Meu
joelho doendo me impedia de dar as
pedaladas, mas eu podia acelerar o carro até a esquina para comprar cerveja.
Detalhes, detalhes, pra quê tantos detalhes?
Espanha tem um timaço, que goleiro!. Pfff... nunca viram Zubizarreta
nem Casillas jogando. Aliás, o segundo foi o capitão da fúria quando eles
faturaram o primeiro mundial. Blá blá blá... conversa de velho. Eles também
falavam de rivalidade. Por todos os santos padroeiros da bola, será que já viram
algo como a nossa virada em cima dos hermanos proporcionada pelo Adriano? Blá
blá blá... conversa de velho. Precisam mudar o disco moçada.
Então começam falar de copa do mundo. Daí eu levanto!
Entusiasmado! EU TAVA LÁ! FOI NO MINEIRÃO! Eles respeitaram minha empolgação.
Dois “milecatorze”, copa do mundo aqui em casa. Semi-finais. No dia seguinte
seria Argentina e Holanda. Mas o jogo era Alemanha e Brasil. Estádio lotado. Em
São Paulo e no Rio era feriado. No mundo inteiro as coisas pararam de funcionar
as duas da tarde. Neymar, o craque do time, quebrado e só voltaria a jogar
depois da final. Thiago Silva, o capitão, no banco por causa de cartão. A
Alemanha cheia de craques também. Tinha
um cara que o nome me lembrava de um ator da época também. Um puta dum ator,
fazia uns filmes de ação junto com o Stallone que não se vê mais hoje em dia,
esses cara magrela, sem presença... Onde eu tava mesmo? Ah, o jogo! Jogaço!
Torcida vibrando do começo ao fim. Dramático. Entrou pra história do futebol do
mundo inteiro. Bateu um monte de recordes. Foi lindo. Aos quarenta e cinco do
segundo tempo, Oscar, meio campo do Brasil, pega uma bola na entrada da área,
dá uma limpa no zagueiro e enfia uma bomba pro fundo da rede. Neuer, o goleiro
da Alemanha não teve chance...
Eis que aquele pivete me pergunta: Mas tio, em 2014 não foi
a Alemanha que foi campeã?
Ooooolha, é mesmo. Nesse jogo eles fizeram sete antes do
Oscar. Tomei meus remédios e fui dormir. Não tive mais vontade de contar
porcaria de história nenhuma pra esses moleques.


