terça-feira, 15 de julho de 2014

Programado às Avessas

Uma postagem programada é aquela que se escreve hoje, pra daqui um tempo ela ser upada no blog. Eu acho. Esta, que está lendo agora, foi escrita no futuro, e upada hoje, por isso programada às avessas. Ou “adamargorp”. Como queira.
Estava eu, ao longo de meus setenta e tantos, junto de todos os meus sobrinhos fazendo o que eu mais gosto de fazer (e eles devem odiar, mas me dão atenção mesmo assim porque eu sou carente), contando histórias. Já misturei tantas mentiras no meio das coisas que eu conto que eles distinguem elas melhor do que eu. Eu já não sei o que é mentira. Minha cabeça não anda muito boa.
Falavam eles de futebol. Ô assunto sem graça. Legal mesmo era jogar. Eu era o melhor. No gol, na linha, atacante ou zagueiro. Não tinha pra ninguém. Mas o tempo foi passando e eu comecei a ver mais do que jogar. Meu joelho doendo me  impedia de dar as pedaladas, mas eu podia acelerar o carro até a esquina para comprar cerveja. Detalhes, detalhes, pra quê tantos detalhes?

Espanha tem um timaço, que goleiro!. Pfff... nunca viram Zubizarreta nem Casillas jogando. Aliás, o segundo foi o capitão da fúria quando eles faturaram o primeiro mundial. Blá blá blá... conversa de velho. Eles também falavam de rivalidade. Por todos os santos padroeiros da bola, será que já viram algo como a nossa virada em cima dos hermanos proporcionada pelo Adriano? Blá blá blá... conversa de velho. Precisam mudar o disco moçada.
Então começam falar de copa do mundo. Daí eu levanto! Entusiasmado! EU TAVA LÁ! FOI NO MINEIRÃO! Eles respeitaram minha empolgação. Dois “milecatorze”, copa do mundo aqui em casa. Semi-finais. No dia seguinte seria Argentina e Holanda. Mas o jogo era Alemanha e Brasil. Estádio lotado. Em São Paulo e no Rio era feriado. No mundo inteiro as coisas pararam de funcionar as duas da tarde. Neymar, o craque do time, quebrado e só voltaria a jogar depois da final. Thiago Silva, o capitão, no banco por causa de cartão. A Alemanha  cheia de craques também. Tinha um cara que o nome me lembrava de um ator da época também. Um puta dum ator, fazia uns filmes de ação junto com o Stallone que não se vê mais hoje em dia, esses cara magrela, sem presença... Onde eu tava mesmo? Ah, o jogo! Jogaço! Torcida vibrando do começo ao fim. Dramático. Entrou pra história do futebol do mundo inteiro. Bateu um monte de recordes. Foi lindo. Aos quarenta e cinco do segundo tempo, Oscar, meio campo do Brasil, pega uma bola na entrada da área, dá uma limpa no zagueiro e enfia uma bomba pro fundo da rede. Neuer, o goleiro da Alemanha não teve chance...
Eis que aquele pivete me pergunta: Mas tio, em 2014 não foi a Alemanha que foi campeã?

Ooooolha, é mesmo. Nesse jogo eles fizeram sete antes do Oscar. Tomei meus remédios e fui dormir. Não tive mais vontade de contar porcaria de história nenhuma pra esses moleques.

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