Caminhar lentamente sobre um tapete de brasas sem
demonstrar dor, ter o olho esquerdo retirado sem que nenhuma habilidade de cura
seja usada em mim, nadar rapidamente através de uma corrente de bolhas ou algo
do tipo, foi isso que me fez voltar.
Perder o medo não seria bem o mais apropriado a se dizer,
mas enfim, adquirir coragem o suficiente para enfrentar cada um dos meus medos.
Estar disposto às mais novas frustrações, decepções, tristezas e dores, afinal,
é um preço mais que justo pela construção da felicidade, a construção dessa
atividade da alma chamada de felicidade.
Depois de um longo período hibernando, consigo sentir que
estou de volta. Não mais forte, mas mais disposto, até mesmo nos piores dias.
Disposto a muitas coisas das quais eu havia me privado por pura comodidade. Disposto a ouvir mais, sentir mais, pensar
mais, aprender cada vez mais, e cada aprendizado, cada pensamento, sentimento
ou coisa que ouço reflete em tudo o mais, formando um ciclo infinito. Me aprimorando.
Nada disso seria possível se ao menos eu não tivesse
encontrado em mim mesmo a fonte de motivação, e isso só ocorreu devido às mais
honrosas fontes externas, portanto, sempre quando minha motivação está se
exaurindo eu lembro que preciso continuar por respeito a elas. Eu preciso
pensar assim. Ser o melhor de mim a cada dia é o mínimo que eu posso fazer para
valorizar. Sentir o fogo queimando nos olhos enquanto se supera e sofrer os
efeitos da superação com orgulho.
Hoje choveu. Não foi muito forte, mas não foram as gotas
geladas que me fizeram tomar essa decisão, foi o símbolo de se superar ante as
forças da natureza, ouvir que o mundo se importa comigo e está me ajudando a
superar minhas dificuldades. Compreender que no fim das contas somos todos uma
coisa só, e minhas limitações devem ser eliminadas pelo seu próprio criador.
Esse ritual de passagem está me dando uma energia extra
que eu realmente não esperava receber, e veio em uma excelente hora.
Eu não apenas estou de volta, mas me sinto assim, de
volta.
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