Acordar num dia estranho sem saber porque. É físico? É
mental? É psicológico? Sei lá, só pareceu estranho. Com muito custo levantar e
voltar a dormir. Porque, se nem sono havia mais? O tempo passa mais um pouco e
as metas não passam da metade. Ainda assim, ocorre a luta para atingi-las. “Esse era o máximo para hoje”. Mas não
chega a ser satisfação.
O dia continua estranho, um reflexo de tudo. Sem motivos
para alegrias, sem razão para tristezas. A motivação parecendo longínqua, os
raios de sol sapecando a pele e as raras gotas d’água se chocando como balas no
rosto. Uma manhã deveras curta de intermináveis horas.
Repousar alguns instantes ao som das seletas melodias.
Tocantes. Daquelas cujos primeiros acordes já nos dizem toda a história, e a
cada verso uma nova forma de ser contada, envolvidas em novas emoções, sons
capazes de te fazer respirar fundo e soltar o ar de forma que ele leva para bem
longe todas as estranhezas de um dia qualquer. As mesmas músicas em novas
ordens parecem novas músicas. E assim por diante.
A tarde parecia diferente, sem estranhezas. Não havia
nada de ruim, mesmo que também não houvesse nada de bom. A forma de perceber o
momento havia mudado devido à experiência com as notas. E as memórias fizeram
seu papel fabuloso, aliada à imaginação que parecia aguardar há muito uma
oportunidade.
Um esforço e uma crença, veio a recompensa quando menos
se esperava e esqueceu de pedir. Com tranquilidade e a mente voando pensando
nas formas que há de crescer, quão boa e quão feia, quão ruim e quão bela, pode
a chuva parecer, pois por mais que se cresça se a natureza quiser que você
volte a experimentar e se nada der certo e tudo acabar a água da chuva ainda
pode se mostrar como um espetáculo, uma peça fabulosa, única e especial, que
ninguém vai cobrar.
Emoções ímpares nas tramas de jogos, verdadeiras
surpresas nas atuações, sentidos sem nome despertados por gestos e muitos com
nomes vindos de canções. Coisas sem explicação sendo maravilhosas, e maravilhas
expostas por explicação, beleza nas cores e formas postadas em telas, paredes
ou lascas de chão.
Um gostar poluído de superestima ou uma mera rima que
fale de amor. Mas um amor sincero discreto de alarde, que fale de arte e de
coração, que fale de força e de velocidade e a felicidade do agudo e do grave
perdido num canto da humanidade chamado de amor pela arte, ou a arte de amar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário