segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Um Dia Qualquer

Acordar num dia estranho sem saber porque. É físico? É mental? É psicológico? Sei lá, só pareceu estranho. Com muito custo levantar e voltar a dormir. Porque, se nem sono havia mais? O tempo passa mais um pouco e as metas não passam da metade. Ainda assim, ocorre a luta para atingi-las. “Esse era o máximo para hoje”. Mas não chega a ser satisfação.
O dia continua estranho, um reflexo de tudo. Sem motivos para alegrias, sem razão para tristezas. A motivação parecendo longínqua, os raios de sol sapecando a pele e as raras gotas d’água se chocando como balas no rosto. Uma manhã deveras curta de intermináveis horas.
Repousar alguns instantes ao som das seletas melodias. Tocantes. Daquelas cujos primeiros acordes já nos dizem toda a história, e a cada verso uma nova forma de ser contada, envolvidas em novas emoções, sons capazes de te fazer respirar fundo e soltar o ar de forma que ele leva para bem longe todas as estranhezas de um dia qualquer. As mesmas músicas em novas ordens parecem novas músicas. E assim por diante.
A tarde parecia diferente, sem estranhezas. Não havia nada de ruim, mesmo que também não houvesse nada de bom. A forma de perceber o momento havia mudado devido à experiência com as notas. E as memórias fizeram seu papel fabuloso, aliada à imaginação que parecia aguardar há muito uma oportunidade.
Um esforço e uma crença, veio a recompensa quando menos se esperava e esqueceu de pedir. Com tranquilidade e a mente voando pensando nas formas que há de crescer, quão boa e quão feia, quão ruim e quão bela, pode a chuva parecer, pois por mais que se cresça se a natureza quiser que você volte a experimentar e se nada der certo e tudo acabar a água da chuva ainda pode se mostrar como um espetáculo, uma peça fabulosa, única e especial, que ninguém vai cobrar.
Emoções ímpares nas tramas de jogos, verdadeiras surpresas nas atuações, sentidos sem nome despertados por gestos e muitos com nomes vindos de canções. Coisas sem explicação sendo maravilhosas, e maravilhas expostas por explicação, beleza nas cores e formas postadas em telas, paredes ou lascas de chão.

Um gostar poluído de superestima ou uma mera rima que fale de amor. Mas um amor sincero discreto de alarde, que fale de arte e de coração, que fale de força e de velocidade e a felicidade do agudo e do grave perdido num canto da humanidade chamado de amor pela arte, ou a arte de amar.

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