Mais uma vez, este mero mortal destituído de qualquer dom
extraordinário que voz fala, ou seja, eu, me proponho a falar do “assunto do
momento” daquele meu jeito. Não pretendo mudar o mundo com nada do que escrevo,
mas se pelo menos eu colocar uma pulguinha atrás da orelha de alguém que se
proponha a pensar de maneira crítica sobre qualquer assunto eu já me sinto um
pouco mais feliz.
Sem mais delongas, aí vão algumas perguntinhas capciosas:
Quanto vale uma vida? Uma vida vale mais do que outra? O que pode ser
considerada uma vida?
Vocês já devem estar imaginando o motivo dessas perguntas
né. Ok, é isso mesmo. Vendo o grande mural azul onde todos são intelectuais,
sinceros e felizes, acabei tendo acesso, através de uma espécie de “telefone
sem fio” moderno, a uma notícia onde em uma heroica invasão a um laboratório,
diversos cãezinhos foram salvos das mãos inescrupulosas de pesquisadores de
produtos farmacêuticos e/ou estéticos.
O momento seguinte foi aquele onde sempre duas forças
rivais e recheadas de criticidade se enfrentam com “walltexts” repletos de
conhecimento, lógica, empatia e totalmente destituídos de subjetividade. Tal
como vocês já devem ter visto entre BBB, religião, estilos musicais, bandeira
de cartão de crédito, marca de sandália...enfim.
O problema, é que existe a mania de pensar as coisas no
limite. Porque é aceitável pisar em uma barata e condenável arremessar gatinhos
no muro? Pink e Cérebro apertando botões pra tomar choque ou ganhar pedacinhos
de queijo soa até engraçado, mas os cachorrinhos devem ser salvos porque os
coitadinhos sofrem com aquele monte de química no corpo.
Talvez essas questões não queiram apenas criticar uma ou
outra “vertente”, mas tentar explicar porque pensamos assim. Sabe aquela mania
de pensar no limite?
Então, imagenzinhas de galhofa as vezes me fazem pensar de
uma forma que até me envergonho, mas... as plantas são seres vivos também não
são? Bactérias.... Logo, se somos vegetarianos e/ou tomamos antibióticos
estamos matando o tempo todo só pra satisfazer as necessidades da nossa vida.
Porque minha vida vale mais que a da planta ou da bactéria? (Chuva de respostas
potenciais) Se você respondeu, de qualquer forma que seja a essa pergunta, pense
nessa resposta de forma mais ampla e repare se o sentido dela não enfraquece?
No fim das contas, uma verdade científica está tão
vulnerável e a mercê da aceitação do vulgo como um determinado programa de
televisão, uma religião ou um estilo musical.
Diversos artistas e pesquisadores antigos teriam virado
churrasquinho (e alguns viraram) em praça pública caso tivessem os pego
dissecando cadáveres. Porque era errado... depois passou a ser certo, e depois
errado de novo, e certo de novo (e agora não sei mais). E assim foi com uma
infinidade de métodos que a história pode mostrar com muito mais propriedade
que um mero gafanhoto. Os fins justificam os meios já foi a coisa mais linda a
ser ouvida num pronunciamento, e hoje é motivo de vergonha, mas talvez amanhã
seja orgulho novamente.
Todo esse senso crítico, essa vontade de fazer acontecer,
bem como essa carência de atenção e em alguns casos, intolerância intelectual
foi construída. Se voluntariamente ou involuntariamente eu sinceramente não sei
quem poderia dizer com propriedade. A subjetividade de cada um envolve, além
das experiências de vida particulares, retalhos da subjetividade do mundo todo,
e isso é reflexo tão somente da facilidade de comunicação. Obviamente trouxe
muitos avanços e coisas boas, mas aquela história de cegar com excesso de
informação é tão claro que chega a ser cômico.
Por fim, eu, na minha posição de conhecedor de coisa
nenhuma, preferiria mil vezes que fossem feitos os testes de substâncias e
carambolhada a quatro, em seres humanos mesmo. Me parece mais confiável
experimentar coisas para humanos em humanos, sem contar que o envolvimento com
reclusos me agradaria ainda mais. (Mas isso desencadearia ooooooutro assunto e
isso aqui já ficou grande demais).
O mundo todo, no limite, está inteiro ligado. Não há o
que divida a parede da minha casa com a minha mão, e o outro lado dela com o ar
e o ar com as demais coisas e as pessoas umas às outras, e os animais, os
laboratórios, os remédios, tudo, e talvez o que esteja acontecendo seja apenas
a vontade (com “v” minúsculo) se mostrando sem se dar conta da Vontade (com “V”
maiúsculo) do tio Schop.

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