É bem verdade que, muito embora nunca tenha escrito
descaradamente a meu respeito, cada vírgula das coisas postadas nesse blog
carrega algo de mim e, portanto, é bem fácil me conhecer através disso, seja em
um prelúdio de um personagem que eu tenha criado, seja em uma tentativa
frustrada de poesia ou mesmo em um desabafo catalisado “etílicamente”. Em qualquer que fosse o caso, minha mão nunca
consegue ficar de fora do que escrevo.
Agora vou tentar ser um pouquinho diferente, estou
falando descaradamente de mim e da qualidade que eu tenho (ou achei que tivesse).
A capacidade de aprender rápido.
Desde muito jovem, tudo o que eu me propunha a fazer eu
conseguia fazer, e em pouquíssimo tempo eu conseguia não só fazer bem feito,
mas inovar, e com o tempo aconteceu algo que eu considero bastante ruim. Eu
comecei a subestimar a dificuldade das coisas. Bastava eu começar a fazer algo
e assim que eu percebia que iria conseguir eu não só passava a achar fácil, mas
perdia o interesse.
Diversos desafios foram apresentado a mim nesses quase
trinta anos (exagerei nos “quase trinta”?), e poucos foram os que se mostraram
realmente complexos a ponto de despertar meu interesse de modo que eu
continuasse aprimorando até fazer o que eu fazia antes. Meio que sem perceber,
eu havia deixado algumas coisas pra trás que só recentemente eu fui notar.
Dois novos, e bem específicos, desafios surgiram
recentemente na minha vida e algo diferente aconteceu dessa vez. Pela primeira
vez eu tive medo de não conseguir aprender rápido. Na verdade, era um pouco
pior que isso, eu tive medo de não conseguir aprender levando o tempo que
fosse. Adiei o início, procurei ajuda com amigos recentes (os velhos amigos me
zoariam até a morte) e enfim, decidi encará-los mesmo assim. O resultado? Me deparei
com uma dificuldade desproporcionalmente acima da média de tudo o que eu havia
visto na minha vida em um deles, enquanto no outro, embora eu esteja me
desempenhando relativamente bem, eu aprendi a olhar de uma outra forma para
todos os meus desafios.
Essa capacidade de aprender rápido alguma coisa, talvez
se devesse ao meu interesse em determinadas coisas, o que fazia com que eu
buscasse por crescimento. Não se tratava propriamente de uma qualidade minha,
era só determinação. Enquanto o fato de subestimar os desafios estava sendo meu
maior defeito. Subestimar um desafio me dava preguiça de continuar aprimorando,
me tirava o interesse, e isso se tornou a maior dificuldade que eu poderia ter.
Agora, com a consciência de que eu não sou nenhum “escolhido”
e que eu tenho, na verdade, um terrível defeito, estou tentando enxergar
novamente os desafios que deixei pra trás e as dificuldades que me fizeram
desistir deles. Não estou dizendo que com isso vou retomar tudo o que comecei e
abandonei no meio do caminho, mas redefinir minhas prioridades e dar o máximo
de mim naquilo que eu perceber que realmente quero, sem medo e sem subestimar
as dificuldades.
Atualmente tenho alguns desafios pela frente, em alguns
acredito estar indo bem, em outros nem tanto, mas é a respeito dessa
determinação que eu estou escrevendo, dessa determinação que surgiu com o
esclarecimento, essa coisa bem pessoal, algo sobre superar um desafio pra poder
encarar um desafio mais difícil.
No fim das contas, acho que sou mesmo infantil a ponto de
me motivar para a vida com coisas correspondentes aos elementos do RPG. E eu
tenho achado isso um máximo...

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