“Minhas memórias não são e nem nunca foram muito claras,
mas lembro-me com certa clareza dos últimos momentos de meu pai. Seu corpo
totalmente atravessado por armas. Espadas, lanças, forcados, todo tipo de arma
que pudesse cortar ou perfurar o faziam em seu corpo. Pernas, braços, todo o
peito e o abdômen atravessados por lâminas de todo o tipo e seu semblante era o
de alguém orgulhoso, talvez pelos seus feitos, talvez pelos seus ensinamentos.
Eu nunca irei saber ao certo.
I am the bone of my
sword
Meu pai simboliza toda a minha família, e todo o contato
que tive com ele pode ser resumido em treino. Décadas, ou até mesmo séculos de
treino. Estudo das artes arcanas, disciplina, determinação, concentração,
esforço físico e mental, tradição, técnica. Ele me mostrou todo o tipo de magia
que pode existir no mundo, mas me ensinou a magia mais árdua. A magia de
espadas. Ao preço de suor e sangue, eu deveria aprender a criar espadas
instantaneamente. Armas sem orgulho, eu deveria criar armas que pudessem ser
descartáveis, só deveria criar, com velocidade, com perfeição.
Stell is my body and the fire is my blood
Aprendi truques para alterar minha velocidade, algumas
armadilhas mágicas, coisa que qualquer iniciado pode fazer, mas
definitivamente, eu me aprimorei na arte de fazer armas. Espadas, lanças,
correntes. Tudo se tornou fácil demais depois que o treino se tornou rotina.
I have created over a thousand blades
Mas o verdadeiro treinamento estava começando agora.
Targrel me desafiava dia após dia, hora após hora, minuto após minuto, em
combate, até que eu desmaiasse. Lutando, o tempo foi passando, e não conheci
mais ninguém. Minha vida era lutar, dar o máximo de mim, criar cada vez mais
lâminas em menos tempo. Resistir à morte, era esse o meu treinamento atual.
Unknown to death
Nor known to life
que fez com que eu esquecesse também de minha idade,
da idade da vila. Na verdade, esqueci de mim, esqueci da vila, esqueci de tudo,
e todo esse vazio que foi crescendo dentro de mim eu transformava em armas. Não
tinha mais motivos pelos quais lutar, não tinha mais motivos pelos quais querer
nada a não ser me aprimorar na arte da luta e da criação espontânea de armas.
Eu não era alguém com armas, eu havia me tornado uma arma.
Have withstood pain to create many weapons
Acertei o meu pai. Devo ter lhe feito algum corte
superficial, quase invisível, mas o cortei. Eu vi o sangue na minha espada.
Essa tinha sido a primeira vez, e antes que eu o golpeasse novamente ele me
disse algumas palavras. Disse que eu estava pronto finalmente. Que eu deveria
voltar a focar meu treinamento em disciplina e conhecimento, que eu deveria
começar a exercitar a minha mente e começar a julgar pelo que eu deveria lutar.
E por último me fez uma pergunta. Ele perguntou se eu seria capaz de abandonar
todo o conhecimento que eu tinha e todo o treinamento pelo qual eu havia
passado e eu lhe respondi prontamente que sim.
Com um largo sorriso no rosto ele me disse para largar
tudo e ir viver na vila, como se jamais tivesse o conhecido. Me pediu para esquecer de tudo.
Yet, those hands will never hold anything
Sem céu e sem chão, pé ante pé fui até a vila. Não
conseguia sentir sequer tristeza, pois havia esquecido dos meus sentimentos
durante os anos que se passavam. Se um dia eu treinei disciplina, foi para
conseguir fazer o que havia me pedido. Esquecer de tudo. E assim o fiz, pois
durou tanto tempo que não faço ideia do tempo que passou desde que parti para a
vila de novo.
Mas numa certa manhã, a vila amanhece alvoroçada, em
choque. Targrel estava ajoelhado no centro da praça, da forma como me lembro
dele até hoje, com o semblante orgulhoso, e infinitas armas atravessando-lhe.
So as I pray
Para mim, esta foi a última lição, pois agora eu tenho o
conhecimento, a técnica, a disciplina, a concentração, a velocidade, sei julgar
pelo que lutar e sei o que eu sou. Eu sou feito de espadas.”
Inspirado descaradamente no personagem "Archer" (Emiya Shirou heróico) do anime Fate.
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