Antes de mais nada, acho importante ressaltar a
circunstância cognitivamente caótica na qual me encontro nesse momento, logo,
tanto como é de se esperar dos fatos, as minhas palavras podem, obviamente,
estar repletas de confusões e mal-entendidos. Entretanto, esse é o ponto
verdadeiramente relevante, a meu ver, que pretendo abordar e o motivo pelo qual
acredito valer o esforço de alguns instantes de reflexão. Quero esclarecer, ao
menos para mim mesmo, o que penso sobre o que ocorre.
Faz tempo que venho notando manifestações ao redor do
mundo virando notícias e achando interessante. Procuro saber o que é com o
material que me é fornecido sem muito esforço e após uma reflexão superficial
acabo perdendo o interesse, mas o fato é que, nesses casos em que as
manifestações ocorriam fora da pátria amada (salve, salve), eu tinha uma certa facilidade em compreender o ponto
da manifestação. Quem luta, porque e como, ao menos para mim, parecia bastante
claro de se notar, e em circunstâncias assim, até mesmo de se posicionar (no
meu caso, apenas supostamente).
Em se tratando do nosso país, observei de forma símile
também algumas manifestações recentes que continham certas similaridades
formais às estrangeiras. Aquela da PM no Campus de uma faculdade de São Paulo é
um bom exemplo. Sem dificuldade e sem me importar muito, mantive, mais uma vez
a mesma conduta.
Um detalhe que notei, não sei se pela falta de informação
acerca das demais nações ou se, de fato, é algo que tem ocorrido somente aqui,
é a forma como as manifestações são encaradas ao só pelo governo, mas por boa
parte da população. É claro que destruir patrimônio público consiste crime, mas
antes mesmo de acontecer qualquer tipo de “anomalia”, manifestantes já são
rotulados de “vagabundos” e/ou criminosos. A descriminalização das
manifestações seria um bom ponto a ser abordado em manifestações políticas. Mas
este não é o ponto.
Deparo-me, enfim, com a seguinte situação, e respeitando
minhas limitações intelectuais, transcrevi à minha rústica forma de compreender
uma manifestação: Quem luta? O povo contra seu governo (eu acho). Por quê? Por
causa do aumento das passagens. Como? Saindo nas ruas, atrapalhando o fluxo
normal das coisas, afinal, se ninguém se sentir incomodado, não há motivos para
haver mudança.
Até aí, consegui compreender razoavelmente bem, mas então
começam as complicações. Os manifestantes são considerados “vagabundos” “desocupados”
que estão atrapalhando o trânsito. Ok, era de se esperar. A polícia interfere para
controlar a situação e acaba acontecendo conflito onde pessoas se machucam,
coisa e tal. Ao meu ver, também era de se esperar. Queimam ônibus. E então a
minha pergunta é: Para que? Um policial aparece quebrando o vidro da própria
viatura. Minha vontade era de pausar o mundo até eu conseguir entender a lógica
disso pra continuar vendo, mas isso não acontece, o que acontece é que a
manifestação muda as respostas do “Quem luta, porque e como”. Vê-se então os
lindos dizeres “Não é por centavos, é por
direitos”.
NÃO. É POR CENTAVOS SIM. Se a manifestação teve início
por causa dos centavos, porque mudar agora? Parece ridículo protestar por
centavos? Ora, então nem começasse. Me parece que existia algum tipo de
vergonha em se manifestar contra a corrupção ou mesmo pelos direitos e o
aumento das passagens foi apenas o estopim. Nesse caso, essa é uma manifestação
não muito sincera. Não que seja tarde demais, mas a conduta deveria ser outra.
As três perguntinhas deveriam ser respondidas com clareza.
Dessa forma, muito mais tempo seria gasto antes de se dar
início às manifestações propriamente ditas, como por exemplo, qual a sansão
adequada para envolvidos em corrupção política, qual deveria ser a participação
direta do povo em determinadas decisões como o polêmico Estatuto do Nascituro e
os “Bolsa qualquer coisa”.
Enfim, se você chegou a ler até aqui, é porque talvez se
interesse mesmo pela opinião dos outros, mesmo os mais leigos, e talvez você
possa fazer alguma coisa para que o ímpeto da necessidade de resposta não
sufoque a capacidade de raciocínio em você mesmo, nos seus conhecidos, nos
conhecidos dos seus conhecidos e assim sucessivamente até mudarmos o mundo,
como uma espécie de protesto silencioso a favor da racionalidade.
Ou não.

http://globotv.globo.com/rede-globo/jornal-da-globo/t/edicoes/v/arnaldo-jabor-fala-sobre-onda-de-protestos-contra-aumento-nas-tarifas-de-onibus/2631566/
ResponderExcluirhttp://www.youtube.com/watchv=KSYR9RN7LyI&feature=share
Foi por centavos, mas pq por centavos?
ResponderExcluirÉ isso.
Até!