sábado, 15 de junho de 2013

Sobre Protesto

Antes de mais nada, acho importante ressaltar a circunstância cognitivamente caótica na qual me encontro nesse momento, logo, tanto como é de se esperar dos fatos, as minhas palavras podem, obviamente, estar repletas de confusões e mal-entendidos. Entretanto, esse é o ponto verdadeiramente relevante, a meu ver, que pretendo abordar e o motivo pelo qual acredito valer o esforço de alguns instantes de reflexão. Quero esclarecer, ao menos para mim mesmo, o que penso sobre o que ocorre.
Faz tempo que venho notando manifestações ao redor do mundo virando notícias e achando interessante. Procuro saber o que é com o material que me é fornecido sem muito esforço e após uma reflexão superficial acabo perdendo o interesse, mas o fato é que, nesses casos em que as manifestações ocorriam fora da pátria amada (salve, salve), eu tinha uma certa facilidade em compreender o ponto da manifestação. Quem luta, porque e como, ao menos para mim, parecia bastante claro de se notar, e em circunstâncias assim, até mesmo de se posicionar (no meu caso, apenas supostamente).
Em se tratando do nosso país, observei de forma símile também algumas manifestações recentes que continham certas similaridades formais às estrangeiras. Aquela da PM no Campus de uma faculdade de São Paulo é um bom exemplo. Sem dificuldade e sem me importar muito, mantive, mais uma vez a mesma conduta.
Um detalhe que notei, não sei se pela falta de informação acerca das demais nações ou se, de fato, é algo que tem ocorrido somente aqui, é a forma como as manifestações são encaradas ao só pelo governo, mas por boa parte da população. É claro que destruir patrimônio público consiste crime, mas antes mesmo de acontecer qualquer tipo de “anomalia”, manifestantes já são rotulados de “vagabundos” e/ou criminosos. A descriminalização das manifestações seria um bom ponto a ser abordado em manifestações políticas. Mas este não é o ponto.
Deparo-me, enfim, com a seguinte situação, e respeitando minhas limitações intelectuais, transcrevi à minha rústica forma de compreender uma manifestação: Quem luta? O povo contra seu governo (eu acho). Por quê? Por causa do aumento das passagens. Como? Saindo nas ruas, atrapalhando o fluxo normal das coisas, afinal, se ninguém se sentir incomodado, não há motivos para haver mudança.
Até aí, consegui compreender razoavelmente bem, mas então começam as complicações. Os manifestantes são considerados “vagabundos” “desocupados” que estão atrapalhando o trânsito. Ok, era de se esperar. A polícia interfere para controlar a situação e acaba acontecendo conflito onde pessoas se machucam, coisa e tal. Ao meu ver, também era de se esperar. Queimam ônibus. E então a minha pergunta é: Para que? Um policial aparece quebrando o vidro da própria viatura. Minha vontade era de pausar o mundo até eu conseguir entender a lógica disso pra continuar vendo, mas isso não acontece, o que acontece é que a manifestação muda as respostas do “Quem luta, porque e como”. Vê-se então os lindos dizeres “Não é por centavos, é por direitos”.
NÃO. É POR CENTAVOS SIM. Se a manifestação teve início por causa dos centavos, porque mudar agora? Parece ridículo protestar por centavos? Ora, então nem começasse. Me parece que existia algum tipo de vergonha em se manifestar contra a corrupção ou mesmo pelos direitos e o aumento das passagens foi apenas o estopim. Nesse caso, essa é uma manifestação não muito sincera. Não que seja tarde demais, mas a conduta deveria ser outra. As três perguntinhas deveriam ser respondidas com clareza.
Dessa forma, muito mais tempo seria gasto antes de se dar início às manifestações propriamente ditas, como por exemplo, qual a sansão adequada para envolvidos em corrupção política, qual deveria ser a participação direta do povo em determinadas decisões como o polêmico Estatuto do Nascituro e os “Bolsa qualquer coisa”.
Enfim, se você chegou a ler até aqui, é porque talvez se interesse mesmo pela opinião dos outros, mesmo os mais leigos, e talvez você possa fazer alguma coisa para que o ímpeto da necessidade de resposta não sufoque a capacidade de raciocínio em você mesmo, nos seus conhecidos, nos conhecidos dos seus conhecidos e assim sucessivamente até mudarmos o mundo, como uma espécie de protesto silencioso a favor da racionalidade.

Ou não.

2 comentários:

  1. http://globotv.globo.com/rede-globo/jornal-da-globo/t/edicoes/v/arnaldo-jabor-fala-sobre-onda-de-protestos-contra-aumento-nas-tarifas-de-onibus/2631566/

    http://www.youtube.com/watchv=KSYR9RN7LyI&feature=share

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  2. Foi por centavos, mas pq por centavos?
    É isso.
    Até!

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