terça-feira, 22 de outubro de 2013

Qual vida vale mais?

Mais uma vez, este mero mortal destituído de qualquer dom extraordinário que voz fala, ou seja, eu, me proponho a falar do “assunto do momento” daquele meu jeito. Não pretendo mudar o mundo com nada do que escrevo, mas se pelo menos eu colocar uma pulguinha atrás da orelha de alguém que se proponha a pensar de maneira crítica sobre qualquer assunto eu já me sinto um pouco mais feliz.
Sem mais delongas, aí vão algumas perguntinhas capciosas: Quanto vale uma vida? Uma vida vale mais do que outra? O que pode ser considerada uma vida?
Vocês já devem estar imaginando o motivo dessas perguntas né. Ok, é isso mesmo. Vendo o grande mural azul onde todos são intelectuais, sinceros e felizes, acabei tendo acesso, através de uma espécie de “telefone sem fio” moderno, a uma notícia onde em uma heroica invasão a um laboratório, diversos cãezinhos foram salvos das mãos inescrupulosas de pesquisadores de produtos farmacêuticos e/ou estéticos.
O momento seguinte foi aquele onde sempre duas forças rivais e recheadas de criticidade se enfrentam com “walltexts” repletos de conhecimento, lógica, empatia e totalmente destituídos de subjetividade. Tal como vocês já devem ter visto entre BBB, religião, estilos musicais, bandeira de cartão de crédito, marca de sandália...enfim.
O problema, é que existe a mania de pensar as coisas no limite. Porque é aceitável pisar em uma barata e condenável arremessar gatinhos no muro? Pink e Cérebro apertando botões pra tomar choque ou ganhar pedacinhos de queijo soa até engraçado, mas os cachorrinhos devem ser salvos porque os coitadinhos sofrem com aquele monte de química no corpo.
Talvez essas questões não queiram apenas criticar uma ou outra “vertente”, mas tentar explicar porque pensamos assim. Sabe aquela mania de pensar no limite?

Então, imagenzinhas de galhofa as vezes me fazem pensar de uma forma que até me envergonho, mas... as plantas são seres vivos também não são? Bactérias.... Logo, se somos vegetarianos e/ou tomamos antibióticos estamos matando o tempo todo só pra satisfazer as necessidades da nossa vida. Porque minha vida vale mais que a da planta ou da bactéria? (Chuva de respostas potenciais) Se você respondeu, de qualquer forma que seja a essa pergunta, pense nessa resposta de forma mais ampla e repare se o sentido dela não enfraquece?
No fim das contas, uma verdade científica está tão vulnerável e a mercê da aceitação do vulgo como um determinado programa de televisão, uma religião ou um estilo musical.
Diversos artistas e pesquisadores antigos teriam virado churrasquinho (e alguns viraram) em praça pública caso tivessem os pego dissecando cadáveres. Porque era errado... depois passou a ser certo, e depois errado de novo, e certo de novo (e agora não sei mais). E assim foi com uma infinidade de métodos que a história pode mostrar com muito mais propriedade que um mero gafanhoto. Os fins justificam os meios já foi a coisa mais linda a ser ouvida num pronunciamento, e hoje é motivo de vergonha, mas talvez amanhã seja orgulho novamente.
Todo esse senso crítico, essa vontade de fazer acontecer, bem como essa carência de atenção e em alguns casos, intolerância intelectual foi construída. Se voluntariamente ou involuntariamente eu sinceramente não sei quem poderia dizer com propriedade. A subjetividade de cada um envolve, além das experiências de vida particulares, retalhos da subjetividade do mundo todo, e isso é reflexo tão somente da facilidade de comunicação. Obviamente trouxe muitos avanços e coisas boas, mas aquela história de cegar com excesso de informação é tão claro que chega a ser cômico.
Por fim, eu, na minha posição de conhecedor de coisa nenhuma, preferiria mil vezes que fossem feitos os testes de substâncias e carambolhada a quatro, em seres humanos mesmo. Me parece mais confiável experimentar coisas para humanos em humanos, sem contar que o envolvimento com reclusos me agradaria ainda mais. (Mas isso desencadearia ooooooutro assunto e isso aqui já ficou grande demais).

O mundo todo, no limite, está inteiro ligado. Não há o que divida a parede da minha casa com a minha mão, e o outro lado dela com o ar e o ar com as demais coisas e as pessoas umas às outras, e os animais, os laboratórios, os remédios, tudo, e talvez o que esteja acontecendo seja apenas a vontade (com “v” minúsculo) se mostrando sem se dar conta da Vontade (com “V” maiúsculo) do tio Schop.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Um Dia Qualquer

Acordar num dia estranho sem saber porque. É físico? É mental? É psicológico? Sei lá, só pareceu estranho. Com muito custo levantar e voltar a dormir. Porque, se nem sono havia mais? O tempo passa mais um pouco e as metas não passam da metade. Ainda assim, ocorre a luta para atingi-las. “Esse era o máximo para hoje”. Mas não chega a ser satisfação.
O dia continua estranho, um reflexo de tudo. Sem motivos para alegrias, sem razão para tristezas. A motivação parecendo longínqua, os raios de sol sapecando a pele e as raras gotas d’água se chocando como balas no rosto. Uma manhã deveras curta de intermináveis horas.
Repousar alguns instantes ao som das seletas melodias. Tocantes. Daquelas cujos primeiros acordes já nos dizem toda a história, e a cada verso uma nova forma de ser contada, envolvidas em novas emoções, sons capazes de te fazer respirar fundo e soltar o ar de forma que ele leva para bem longe todas as estranhezas de um dia qualquer. As mesmas músicas em novas ordens parecem novas músicas. E assim por diante.
A tarde parecia diferente, sem estranhezas. Não havia nada de ruim, mesmo que também não houvesse nada de bom. A forma de perceber o momento havia mudado devido à experiência com as notas. E as memórias fizeram seu papel fabuloso, aliada à imaginação que parecia aguardar há muito uma oportunidade.
Um esforço e uma crença, veio a recompensa quando menos se esperava e esqueceu de pedir. Com tranquilidade e a mente voando pensando nas formas que há de crescer, quão boa e quão feia, quão ruim e quão bela, pode a chuva parecer, pois por mais que se cresça se a natureza quiser que você volte a experimentar e se nada der certo e tudo acabar a água da chuva ainda pode se mostrar como um espetáculo, uma peça fabulosa, única e especial, que ninguém vai cobrar.
Emoções ímpares nas tramas de jogos, verdadeiras surpresas nas atuações, sentidos sem nome despertados por gestos e muitos com nomes vindos de canções. Coisas sem explicação sendo maravilhosas, e maravilhas expostas por explicação, beleza nas cores e formas postadas em telas, paredes ou lascas de chão.

Um gostar poluído de superestima ou uma mera rima que fale de amor. Mas um amor sincero discreto de alarde, que fale de arte e de coração, que fale de força e de velocidade e a felicidade do agudo e do grave perdido num canto da humanidade chamado de amor pela arte, ou a arte de amar.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Quatro

Eu
Que jazi no pântano dos sonhos
Mantenho-me encarcerado neste invólucro de carne
Imerso no tempestuoso palco dos horrores
Emoções perdidas
Digladiando-se em emaranhadas “dístopes”  cadeias
“Cavalgantes” dos cavaleiros do ego
Se perdem guiados pelos faunos
Distraindo-se em suas teias
Garoto quatro
Recorrente em vários dos amores
Único e perfeito em qualquer dos horizontes
Jazido, no pântano dos sonhos

Sem câmera ou ação.