sexta-feira, 26 de abril de 2013

Pesadelo


“...um vento frio que só eu pude sentir carregava uma folha até o meu amor...
...uma língua de luz partia o topo do céu após serpentear sua silhueta ao doce som do estrondoso trovão...
...a chuva torrencial que derrubava os céus em vastas cortinas d’água tornavam a visão turva, o caminhar dificultoso, e ela parecia cada vez mais distante de mim, ainda que eu me esforçasse para alcançá-la...
...ao parar e olhar para trás, talvez para mim, minhas pernas travam, e então começa a falar sem parar, mas eu não podia ouvir...
...não pela orquestra das gotas no chão, nem pelos solos magníficos do poder dos céus, mas apenas porque aquelas palavras não eram para mim...
...e então caminha para longe da tempestade, e meus pés se firmam no chão úmido a ponto de quase nada poder arrancá-los dali...
...somente o raio foi capaz...
...aquele que partiu do calcanhar ferido, rompendo a carne e dilacerando os ossos, cruzando o corpo a fogo e gelo, e deixando o palco fúnebre por debaixo do ouvido do outro lado para se encontrar com os demais protagonistas da peça da tempestade...
...morri, e logo em seguida acordei...
...um vento frio que só eu pude sentir carregava uma folha até o meu amor...”

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