domingo, 28 de abril de 2013

Hoje é Sempre


O cinza crescente revela uma discrepância
É preciso que a infância ceda à responsabilidade?
É possível ser maduro e cultivar felicidade?

Quando foi que a verdade se tornou parte da mentira
e as lágrimas de tristeza pífias diante da ira?

Não se vê mais esperança
nos olhos de uma criança
Está faltando integridade
em quem já tem maturidade
Também jaz sabedoria
de quem já foi mestre um dia

Imagens gritam em alarde como o mundo apodrece
Desde quando isso acontece? Me perdi em algum lugar?
Exemplos desgraçados surgem parecendo se orgulhar

Corroendo valores que eram pra ser atemporais
Vicissitudes e virtudes já não se distinguem mais

Não se vê mais esperança
nos olhos de qualquer criança
Está faltando integridade
enquanto sobra impunidade
Também jaz a tolerância
E viva à louvável ganância

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Pesadelo


“...um vento frio que só eu pude sentir carregava uma folha até o meu amor...
...uma língua de luz partia o topo do céu após serpentear sua silhueta ao doce som do estrondoso trovão...
...a chuva torrencial que derrubava os céus em vastas cortinas d’água tornavam a visão turva, o caminhar dificultoso, e ela parecia cada vez mais distante de mim, ainda que eu me esforçasse para alcançá-la...
...ao parar e olhar para trás, talvez para mim, minhas pernas travam, e então começa a falar sem parar, mas eu não podia ouvir...
...não pela orquestra das gotas no chão, nem pelos solos magníficos do poder dos céus, mas apenas porque aquelas palavras não eram para mim...
...e então caminha para longe da tempestade, e meus pés se firmam no chão úmido a ponto de quase nada poder arrancá-los dali...
...somente o raio foi capaz...
...aquele que partiu do calcanhar ferido, rompendo a carne e dilacerando os ossos, cruzando o corpo a fogo e gelo, e deixando o palco fúnebre por debaixo do ouvido do outro lado para se encontrar com os demais protagonistas da peça da tempestade...
...morri, e logo em seguida acordei...
...um vento frio que só eu pude sentir carregava uma folha até o meu amor...”

quinta-feira, 25 de abril de 2013

O primeiro devaneio


Durante esses vinte e tantos anos da minha vida eu usei várias armas. Pistolas, revólveres, metralhadoras, granadas e tantas outras quantas possam imaginar. Já usei armas químicas, psicológicas, mas enfim, dentre todas essas armas, as que mais me seduziram sempre foram as de natureza medieval. Desde as manoplas de metal, às costumeiras espadas, arcos e flechas, e até mesmo as fantásticas magias foram sempre mais doces aos meus olhos.
Nem sempre foi por motivos nobres ou honrados que as empunhei, tampouco apenas para afirmar meu egoísmo ou proteger meu ego. Já salvei inocentes, me sacrifiquei heroicamente em prol da paz, curei as feridas de desconhecidos, mas também provoquei a guerra entre reis poderosos, sentenciei inocentes, fui leal e patife, honrado e cruel, e com certeza ainda experimentarei sensações mais específicas.
Há quem diga que todas essas experiências foram fictícias, e num primeiro momento seria até obrigado a concordar, mas em que consiste a essência de uma experiência afinal? Onde se situa a linha que divide o real do imaginário?
Posso piorar um pouco mais as coisas, se apontar os holofotes à tamanha incerteza que é a apreensão de dados empíricos proporcionada pelos nossos sentidos. A textura que você sente na pele nada mais é do que uma resposta à sua mente causada por um estímulo, da mesma forma que as cores captadas por seus olhos, e o som, por seus ouvidos. E se não há corpo algum ou outra coisa alguma qualquer, mas apenas um vasto e complexo facho de sensações lançadas à mente, interpretadas por ela mesma como sons, texturas, cores, odores e sabores?
O fato é que gostar do sabor do morango ou da sensação que minha mente tem do sabor do morango não tem diferença, e da mesma forma, arriscar a vida para salvar um desconhecido e apenas ter essa sensação, também não.
É obvio que nem sempre interpretamos personagens dos quais nos espelhamos, mas compreender a mente de um personagem a ponto de tomar as decisões por ele, pode nos fazer sentir o sabor desse morango, e nossa imaginação é que fará com que possamos apreciar o azedo ou a doçura dessa fruta...

Devaneiador


Olá, “Devaneiador” é um espaço destinado apenas para que eu possa compartilhar com possíveis corajosos, partes que julgo importantes de devaneios que tenho, que podem variar de epifanias criativas à meros devaneios oníricos ou mesmo pós embriagórios (essa palavra eu inventei). Se por algum motivo você veio parar aqui, seja bem vindo e espero que possa extrair daqui algo de bom, um grande abraço e até mais...